Resenha: Whiplash - Em Busca da Perfeição

Tenho que dizer que não sou muito de fazer resenhas e duas resenhas em um período tão curto de tempo assusta até a mim mesma, mas creio que quando o objeto de avaliação me chama tanto a atenção de alguma forma, eu acabo recobrando o ânimo. E Whiplash chamou muito a minha atenção, muito provavelmente devido ao fato de que há muito tempo algum filme não me envolvia tanto e me deixava tão aflita como este.

Movimento, ação e sequências de tirar o fôlego e fazer com que você não desgrude seus olhos da tela e não, eu não estou falando sobre um filme policial ou de corrida, estou falando de um filme onde o elemento principal é a música, mais especificamente o Jazz. Indicado ao Oscar em cinco categorias, Whiplash entrou para a minha lista de favoritos ao retratar o cenário musical de maneira tão singular.

No começo, o longa parece te guiar para mais um daqueles enredos clichês de garoto perseguindo seu sonho musical, mas encarando dezenas de frustrações, quando somos apresentados a Andrew Neyman (Miles Teller), um jovem e promissor baterista estudante da melhor escola de música dos Estados Unidos, o Reformatório Shaffer. Neyman é escolhido pelo temido e admirado Fletcher (J.K. Simmons, indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante), um professor abusivo, para integrar sua banda de jazz que prima pela perfeição.

Bom, é aí que o martírio de Andrew começa, já que seu mentor se mostra abusivo e utiliza-se do método de ofender da forma mais profunda e criativa possível, depreciando física e psicologicamente seus alunos a fim de fazer com que eles se esforcem cada vez mais a alcançar o melhor que podem fazer, ou desistam de vez. O grande truque do filme é que, por ser um personagem tão profundo, por várias vezes o telespectador é capaz de dar-lhe razão pelos seus atos. A atuação de J.K. Simmons é excepcional, conseguindo dar vida à personalidade tão intricada do professor, e os prêmios de indicações que recebeu por isso são mais do que merecidos.

Mas, se Fletcher não é nenhum mocinho, isso não torna o protagonista um. Diferente da pureza de muitos heróis por aí, Andrew tem seus defeitos por vezes escancarados ao público. Cheio de si e de ressentimentos por sua família não dar o devido valor ao seu talento - valorizando muito mais os primos atletas -, Neyman abre mão de muita coisa para se dedicar completamente a música. Miles Teller surpreendeu-me conduzindo cenas intensas e cheias de confusão e sentimentos, onde o personagem tem mais de um encontro cara-a-cara com a loucura. Teller, que toca bateria desde os 15 anos, passou a treinar quatro horas por dia e três dias por semana para a realização do papel, o que só trouxe ainda mais veracidade às cenas sangrentas e emocionantes dos ensaios incessantes de Andrew. 


A conexão entre os dois é uma espécie de amor e ódio, enquanto às vezes percebemos a afeição que Fletcher sente por Neyman quando desempenha o papel de mentor, em outras a tensão entre ambos é de dar arrepios. "Não existe um conjunto de palavras mais perigoso do que 'bom trabalho'" diz Terence Fletcher em uma conversa com seu aluno, afirmando ainda mais seu ponto de vista de que grandes e singulares artistas são resultado de grandes frustrações. Mas os sentimento de admiração mútuo entre ambos só é provado quando, no número final, eles entram em um diálogo onde as palavras foram substituídas por olhares e o ritmo frenético da bateria.


Com uma abordagem um tanto quanto intimista e um desfecho interessante - que acaba com um dos solos de bateria mais sensacionais que já ouvi -, o diretor e escritor Damien Chazelle nos conta a história inspirada em sua própria e faz com que não consigamos tirar os olhos da tela até que o longa chegue ao seu fim. A fotografia de Sharone Meir também foi fundamental para a sensação do filme, mudando drástica, porém necessariamente, de estilo entre os momentos em que o protagonista está tocando e os demais momentos, como quando ele está com o pai.

O meu encantamento pelo filme é visível e eu tenho apenas boas recomendações a fazer, apesar de ter ficado um tanto quanto desapontada pelo pouco reconhecimento que o ator Miles Teller teve por seu trabalho no longa, que é realmente impressionante.



Nota:
                                                                                              

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