Que me desculpem os normais

Acho que poucas coisas são tão frustrantes do que ouvir um "por que você não pode ser normal?", principalmente quando vem de alguém com quem você se importa tanto. A minha pergunta é: o que é normal para você? Normal para mim é ser quem se é, fazer o que quiser e pensar como se quer. Nós somos o que somos e, em plena época de tantas pequenas revoluções, vir falar sobre seguir padrões é quase risível.

A vida é uma constante busca por quem nós somos e o que queremos, a busca por uma identidade única, porque, no fim, todos nós queremos ser únicos. E negar a si mesmo o prazer de se sentir bem com quem se é ou com o que faz, é um ato de pura covardia. Vejo algumas pessoas que passam a vida tentando ser alguém que as outros gostem, mas que não possuem um tico de amor próprio. Pessoas que chegam a velhice frustradas por nunca terem realizado algo por satisfação pessoal.

Outro dia estava conversando com uma senhora que faz faculdade comigo, quando perguntada pelo motivo de estar cursando Direito se não tinha pretensão alguma de atuar na área, ela só sorriu e respondeu: "Era o que eu queria desde sempre". Pensei que é esse o tipo de pessoa que eu quero ser, a que não olha para trás para ver o tempo perdido, mas que olha adiante em busca de oportunidades de se realizar. Fazer coisas que façam bem ao astral, que lhe deixem com aquela alegria que chega ser doída. Arriscar, não ter medo de um novo corte de cabelo, talvez uma tatuagem ou até mesmo uma roupa que não tem nada a ver com o seu estilo, mas que você sempre quis usar e ela te faz sentir livre. Escrever uma música, mesmo que ruim, puramente porque você quis. Ir a um show e não ter medo de se jogar ou ficar em casa cercado por besteiras e assistindo uma maratona de séries, porque é isso que te deixa bem.

A vida é tão mais do que fazer só o que é "normal". Pensando bem, acho também que ela não é uma busca da nossa própria identidade, a vida é a construção dela. Cada coisinha que fazemos, cada decisão que tomamos, caminho que seguimos, cada marca que deixamos, isso é o que somos. Que me desculpem os "normais", mas eu prefiro ser anormal e me tornar alguém a quem eu realmente ame, do que me encaixar em seus padrões e acordar um dia e perceber que nada daquilo era o que eu queria.

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