Diário de Aventuras: Lollapalooza 2015


Demorou mil anos? Demorou sim, mas saiu! Como já tinha comentado em uma postagem anterior, esse ano finalmente eu iria realizar algo que estava querendo há anos: o Lollapalooza. Desde que anunciaram a venda dos ingressos, bem antes do próprio line-up, eu decidi que dessa vez daria um jeito e iria, mas muitas desventuras seguidas me levaram a desistir e aceitar que esse ano a coisa toda não daria certo e que era melhor tentar no ano que vem. Bom, eis que março, o mês do meu aniversário, chegou e meu pai e minha madrasta vieram com algo realmente surpreendente: me deram de presente de aniversário não só a passagem para São Paulo para que pudesse ir passar meu aniversário com eles, mas também ingressos para os dois dias do Lollapalooza, que aconteceu nos dois dias seguintes ao meu aniversário. Acho que quem me acompanha nas redes sociais deve saber, já que polui timelines no tempo em que estive por lá, mas agora darei os detalhes a até algumas dicas válidas pra quem quer embarcar nessa.





Vou pular os dois primeiros dias da viagem e apenas dizer que foram ótimos e bem família! Minha mãe, como não pode estar comigo, mandou um bolo e meu pai me deu um cerveja importada de presente pelos 18 anos. Foi tudo bem ótimo, mesmo, bati perna com a minha avó, fiz compras e conheci gente nova. Saí com meus pais e alguns amigos deles e fiquei relaxada como não me sentia há algum tempo.

Meu companheiro na jornada lollapalostica foi meu irmão, Hiago, que já mora por lá mesmo e aproveitou a oportunidade pra ir comigo.

Há exatamente um mês estávamos entrando pelos portões do Autódromo de Interlagos e arregalando os olhos com o tamanho daquele lugar (sério, é imenso, só de pensar já sinto minhas pernas doerem), Zimbra estava tocando no palco Axe e até ficamos para ouvir um pouco o som dos caras. De primeira foi aquele deslumbramento, estávamos com alguns amigos que já eram veteranos na coisa toda, era o terceiro ano consecutivo no festival e digamos que eles já tinham as manhas. Fiquei naquela coisa de que precisava andar o lugar inteiro, conhecer cada cantinho do festival e etc., mas ao mesmo tempo queria estender minha canga na grama e sentar para me sentir só um pouquinho naqueles comerciais legais. Acabamos andando um pouco e depois sentando, mas como estávamos inquietas, eu e uma colega decidimos deixar todos para trás e dar uma volta pelas lojinhas e parar lá nos contêiners da C&A para inventarmos moda e ganharmo headbands com penas nos maquiar, fazer o cabelo e bater um papo com as estilistas. Findou que perdemos umas duas horas nessa brincadeira e quando saímos meu irmão e um outro amigo estavam nos esperando.

Assim que saímos já conseguimos ouvir o som de Fitz and The Tantrums - o que significava também que já tinha perdido pelo menos umas duas bandas que planejava assistir, mas ainda estava tão em êxtase por estar ali que não me importei muito - e, pra ser honesta, eu nem tinha colocado eles nos meus planos, mas depois que uma amiga que foi no Lollapalooza da Argentina disse que esse era o show que eu não podia perder, desci o morrinho rumo a frente do palco Onix totalmente animada. E não me arrependi nem um pouco. Tinha dado uma sondada na banda, ouvido algumas músicas, mas não acreditava que ia presenciar um show tão incrivelmente maravilhoso. A começar pelo fato de que, mesmo com a carinha de tiozão, o Michael Fitzpatrick arrasou demais em cima da quele palco. Porém, NADA se compara com o que a Noelle fez. Aquela mulher é maravilhosa, não só no poder vocal, mas ela tinha a plateia inteira na palma da mão e foi simplesmente fenomenal. E foi pulando e gritando as músicas que eu tinha acabado de aprender que eu senti que o Lollapalooza tinha realmente começado para mim.

Um vídeo publicado por Elouise Cavalcante (@shineonyoulou) em

Depois disso acho que nos separamos do resto do pessoal e ficamos só eu e o Hiago, o que até foi melhor, mais fácil de não nos perdermos e de nos movimentarmos. Demos algumas voltas ainda, eu queria MUITO assistir Kasabian e até fiquei um pouquinho ali na frente do palco Onix, no qual eles tocaram, para conseguir um lugarzinho bom para viajar nas músicas. Ouço os caras há uns dois anos e a oportunidade de assistir um show deles era imperdível. Mas nós estávamos em dois e não pretendíamos nos separar, pelo menos não no primeiro dia, então decidimos que às vezes teríamos que abrir mão de alguns shows e eu tive que abrir mão de Kasabian (sofrendo bastante por dentro), para ir a tenda de eletrônica assistir o DJ Snake. Não sou fã de eletrônica, não me animo muito com o estilo, mas se já estou no inferno, vou abraçar o capeta. Então só me deixei levar pela energia da galera e pulei muito, dancei muito, entrei naquela vibe de fechar os olhos e deixar a música me levar e funcionou de forma surpreendente.

Infelizmente não ficamos até o final também, porque tivemos que correr para o palco Skol e pegar a tão sonhada grade no show do Robert Plant. E conseguimos! O show foi fantástico, apesar de ter ouvido alguns dizerem o contrário, ele não perdeu nadinha do talento vocal e tocou várias músicas do Led Zeppelin, o que me surpreendeu um pouco, mas não desapontou com certeza.

Quando o show acabou, corremos para o palco Onix e chegamos bem a tempo do início do show do Skrillex. Entra mais uma vez naquela linha em que não curto muito o estilo, mas fui totalmente levada pelo momento. Algumas músicas eu conhecia, as que eu não conhecia apenas dancei como uma louca. Skrillex tem um jeito legal de interagir com a plateia e não fazer o show parecer mais uma daquelas baladas ao ar livre, some a isso as imagens brisantes e psicodélicas que aparecem nos três telões, foi o suficiente para me fazer viajar durante o show inteiro. E o final foi ainda mais incrível!

Depois disso, já bem cansados, rumamos de volta ao palco Axe para assistir Bastille, o que eu realmente não fiz, consegui um lugar tranquilo onde conseguisse deitar e ouvi o show inteiro, me levantando apenas para dançar Icarus loucamente e depois ir embora mais cedo para não pegarmos o trem lotado.

Bom, se pensamos que o primeiro dia foi cansativo, o segundo estava prestes a nos dar um belo tapa. A começar que acho que não passou pela cabeça de nenhum de nós a possibilidade de colocar algum despertador para o dia seguinte, o que obviamente fez com que acordássemos bem atrasados, nos arrumássemos na correria e o resultado foi: não cheguei a tempo para assistir Scalene ou Far From Alaska, o que me deixou profundamente magoada. Mesmo.

Meio decepcionados e com uma chuva começando, nós ficamos meio que caminhando a esmo pelo autódromo debaixo da chuva (fun fact: levei capa de chuva no primeiro dia e não choveu, adivinha o que eu não levei no segundo?), deu tempo de eu me irritar e de pedir desculpas e de fazermos piada com as roupas alheias e de o Hiago repetir pela milésima vez que SÓ TEM GENTE BONITA NO LOLLAPALOOZA, o que é verdade mesmo e é assustador. Foi nessa andada a esmo que acabamos parando no palco Skol e fizemos o que provavelmente foi uma das minhas melhores descobertas musicais, assistimos ao show do Molotov. Primeiro olhamos e começamos a nos perguntar o que aqueles tiozões estavam cantando ali em cima com tanta rebeldia, depois que identificamos que era espanhol eu até comecei a desanimar um pouco (tenho um problema sério com esse idioma), mas como mágica acho que acabei entendendo algumas coisas e curtindo a batida e não demorou muito para que eu e o Hiago estivéssemos pulando e gritando o refrão das músicas como se tivéssemos ido ali só para assistir eles. Esse também foi o show em que as câmeras nos amaram, aparecemos no telão dezenas de vezes, o que foi bem engraçado.

Foi aí que cometemos o nosso erro terrível: eu e o Hiago nos separamos. Eu queria pegar grade no show do The Kooks, enquanto ele queria pegar em Three Days Grace, os shows eram na mesma hora e nenhum de nós estava disposto a abrir mão, então nos separamos e marcamos de nos encontrar na frente do posto médico no show do Foster The People.

Até aí tudo ok, dei mil voltas pelas lojinhas, fiz umas compras e então desci para o palco Onix para pegar o final do show do Rudmental e já trilhar meu caminho para o mais perto do palco que eu conseguisse para assistir The Kooks. Consegui ficar bem perto mesmo, mas ainda tive que esperar algumas horas até o show deles começar. Uma coisa que eu amo sobre ir em shows é que todos basicamente estão lá com o mesmo objetivo, então é tão mais fácil conversar, antes mesmo que eu conseguisse perceber nós já estávamos em um grupo grande batendo o maior papo sobre música, faculdade, objetivos de vida e criando grupo no whatsapp para mantermos contato (o que de fato fazemos até hoje).

O show começou, foi incrível, eu surtei, passei a maior parte do show gritando as músicas e ficando com aquela cara de "meu Deus, não acredito, eu to aqui mesmo" - a outra parte eu passei pedindo desculpas para a moça atrás de mim por ter pisado com as minhas botas nos pés dela enquanto pulava. Não preciso nem citar que esse era o show que eu mais estava esperando para assistir, me julguem o quanto quiserem, mas o segundo dia foi o dia que mais me empolgou em relação às bandas, apesar de o primeiro ter me impressionado.



Acabado o show, eu morta de alegria fui tentar correr para o palco Skol para assistir Foster The People, mas aparentemente TODOS ali tiveram essa mesma ideia e, se ficar perto da grade é ótimo durante o show, para sair dali é um terro sem fim. No final, consegui chegar no palco Skol, mas estava impossível de entrar e, mesmo se eu conseguisse, não ia conseguir enxergar o palco de jeito nenhum. Então eu fiz a única coisa que os seguranças lá estavam gritando para que não fizéssemos: pulei a grade. Não sei de onde me vieram forças, mas eu pulei e caí em um amontoado de pneus que seguravam o letreiro enorme do Lollapalooza (vocês provavelmente já viram aquela coisa que parece balão que é o símbolo do festival todo e etc). O resultado foi que eu assisti o show inteiro com vista privilegiada do letreiro, tentando reprimir meu pensamento de desastre eminente, porque aquela coisa começou a lotar de gente e a possibilidade de cair e matar 300 facilmente não parecia pequena. Ainda assim, deu pra pular bastante (eram pneus, então pular era bem divertido na verdade) e dançar e me impressionar com a quantidade de pessoas que estavam naquele local. Também deu tempo de conversar com quem estava lá em cima e trocar experiências de fim de festival.



Ok, lembram que eu disse que eu e o Hiago nos encontraríamos na frente do posto médico? Acontece que estava impossível chegar lá com tanta gente, então precisei esperar o lugar esvaziar um pouco, mas quando eu cheguei lá ele não estava me esperando. Ainda passei algum tempo esperando para ver se ele não aparecia, mas nada. Então pensei no óbvio, vou ligar pra ele. Nada. Fora de área. Liguei para o meu pai e para a minha madrasta só pra tranquilizar eles com um "então, a gente se perdeu, mas tá tranquilo porque aqui é só o Autódromo de Interlagos e a possibilidade de a gente se encontrar novamente é bem pequena, mas ei, eu tava no letreiro", ao que eles reagiram até bem. Falaram pra eu continuar curtindo e depois eu e o Hiago nos encontraríamos por aí e foi o que eu fiz.

Próxima parada? Young The Giant! Assisti uma parte do show, liguei para a Bia porque nada melhor pra se fazer no Lollapalooza do que ligar para a sua amiga e colocar o papo em dia. Bom, pra quem não sabe, no Lollapalooza ninguém aceita dinheiro só alguns ambulantes rebeldes, então nós tínhamos que trocar nosso dinheiro por Mango, que é a "moeda" do Lolla. R$2,50 é igual a um mango e um sanduíche que nem forra o estômago é igual a OITO mangos. Mas tudo bem, eu estava desesperada e com fome e o Hiago tinha ficado com os nossos lanchinhos caseiros, então tive que cair nas graças do gourmet de lá comer um sanduíche para me preparar psicologicamente para assistir Smashing Pumpkins.

No dia anterior eu tinha encontrando com uma galera legal de São Luís e nós tínhamos marcados de assistir o show do Smashing Pumpkins juntos, então trocamos mensagens e nos encontramos lá. Não preciso nem dizer que foi incrível, muito melhor do que eles vinham mostrando há anos, fiquei orgulhosa, emocionada, elétrica e migrando de lugar toda hora para achar um espaço melhor para conseguir enxergar o palco. O plano era ir embora mais cedo para não pegar tanto movimento no trem e no metrô, como tínhamos feito no dia anterior, porém, esse dia estava destinado a ser difícil, então na hora em que comecei a caminhar para fora lembrei que tinha comprado coisas e que tinha que ir buscar nas lojas. Naquelas lojas que ficavam do outro lado do autódromo. Respirei fundo, irritada, decidi ir logo lá buscar, meus coleguinhas maranhenses foram junto comigo e nós demos um olá lá no show do Pharrell que estava cantando Hollaback Girl e dançamos. Peguei minhas mercadorias e nós finalmente pudemos ir embora.

Óbvio que não foi tão fácil, eu ainda não tinha encontrado o Hiago, mas conseguimos nos contatar, porém meu celular descarregou e eu fiquei incomunicável. Ainda estava com os colegas, a gente parou no palco da Pepsi porque uma das garotas queria cantar (e ela mandou super bem, por sinal), aí sim fomos embora e tomamos nosso caminho para o trem. Mas a essa hora já estava tudo lotado, congestionado, já tinha perdido as esperanças de encontrar o Hiago, já tinha até perdido as esperanças de chegar ao trem antes da estação fechar. O resultado foi que demorou pra caramba, ainda paramos em um bar pra esperar as coisas esvaziarem, ofereceram pra pagar meu táxi, mas só nessa brincadeira ia dar uma fortuna, então só fomos. Deixei meus pais preocupados apenas no nível de chegar na estação perto de casa e os dois estarem parados lá na frente me esperando com aquele olhar de desespero, mas foi tranquilo, todo mundo ficou feliz E EU FUI PARA O LOLLAPALOOZA.

Ah, e foi assim que eles terminaram o festival:



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Hey, espero que tenham gostado desse post imenso, parabéns para quem leu tudo haha! O sumiço foi devido ao mês de prova na faculdade, mas a série de posts sobre festivais continuará e os demais planos estão de volta aos trilhos e se realizarão em breve. XX.

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