John Hughes e a juventude nos anos 80


Talvez você nunca tenha ouvido o nome de John Hughes, mas sem dúvida alguma já assistiu pelo menos um filme roteirizado ou dirigido por ele. Afinal, quem nunca viu Esqueceram de Mim ou Curtindo a Vida Adoidado? Diretor, produtor e roteirista norte-americano, John Hughes foi o responsável por sintetizar de forma honesta e delicada o que era ser jovem nos anos 80 nos Estados Unidos, revolucionando a maneira como os adolescentes eram representados no cinema. Com personagens complexos e realistas, Hughes conseguiu atingir todos os públicos com excelência, mostrando, através de cenas muitas vezes absurdas e bem humoradas, um retrato fiel à juventude.

O diretor, que morreu em agosto de 2009, aos 59 anos, é tido até hoje por muitos cinéfilos como o Rei dos Anos 80. Embora vários de seus filmes tenham se tornado sinônimos de sessão da tarde, não devem de forma alguma serem subestimados. Seus filmes não são marcados por um orçamento alto ou cenários muito elaborados, mas isso tudo é sanado por um roteiro robusto e cheio de personalidade onde conseguimos conhecer profundamente um personagem sem ao menos ver um flashback ou receber uma descrição exata dos acontecimentos em seu passado.

John Hughes é certamente um dos meus diretores e roteiristas favoritos, porém, para não me alongar em uma postagem de vinte páginas sobre todos os filmes e os aspectos que adoro sobre eles, decidi trazer para vocês hoje os três filmes denominados pelo próprio John Hughes de "Teen Trilogy" ("Trilogia Adolescente" em tradução livre): Gatinhas e Gatões, Curtindo a Vida Adoidado e O Clube dos Cinco.


   Gatinha e Gatões (Sixteen Candles) - 1984


O filme traz a história de Samantha Baker (interpretada por Molly Ringwald, a musa de Hughes), uma adolescente com altas expectativas para seu aniversário de 16 anos, que acabam sendo frustradas quando toda sua família esquece da data por conta da correria do casamento de sua irmã mais velha. Para completar, ela precisa ceder o quarto ao avós, o baile da escola acaba sendo um desastre e ela não é notada pelo cara mais popular da escola, Jake Ryan. Problemas bobos, certo? Errado. Uma das coisas mais incríveis desse filme é que ele simplesmente não menospreza todos esses problemas aparentemente bobos, mas que na cabeça de uma adolescente de dezesseis anos são muito mais graves. Depois de fazer um combinado com o nerd da escola, várias reviravoltas se seguem na vida de Sam, acompanhadas sempre de cenas cômicas e diálogos bem feitos. Com destaque ao personagem de Anthony Michael Hall, que é de certo a coisa mais engraçada do filme inteiro.


   Curtindo a Vida Adoidado (Ferris Bueller's Day Off) - 1986


Provavelmente o filme mais famoso da trilogia e se você não assistiu deveria fazer isso agora mesmo. O filme conta a história de Ferris Bueller, um adolescente que só queria aproveitar a vida e isso quase sempre incluía cancelar a escola de sua agenda. Com seu limite de faltas prestes a estourar e o último ano da escola chegando ao fim, Ferris Bueller finge estar doente para poder faltar aula e curtir o dia inteiro com Cameron, seu melhor amigo, e sua namorada, Sloane. "A vida passa muito rápido, se você não parar para olhar em volta de vez em quando, pode perdê-la" é o lema do nosso querido protagonista (e passou a ser um dos meus também). O dia é recheado de aventuras, a começar por eles terem pegado escondidos a Ferrari dos pais aparentemente rigorosos de Cameron. Os três passeiam pelas ruas de Chicago e passam por cenários urbanos de dar inveja, mentem para entrar em um restaurante caro, visitam museus. Ferris até protagoniza uma das cenas mais icônicas do cinema, em que sobe em um carro alegórico e, depois de dublar o clássico alemão "Donke Schoen", anima a todos cantando "Twist and Shout" dos Beatles.


No filme, o desenvolvimento de personagem mais surpreendente parte de Cameron Fry, o típico melhor amigo nerd que prima pela perfeição e é muito bom seguindo regras e sendo ignorado pelos pais, que começa a se soltar e, se no início estava morrendo de medo de pegar o carro dos pais para um passeio com os amigos, no final ele desconta toda a raiva pelos pais no pobre carro. Para mim, ele não só passa por todas as fases do herói até tornar-se alguém corajoso, mas é o real herói do filme.

Uma curiosidade engraçado sobre o filme é que, por conta do baixo orçamento, seria muito caro alugar uma Ferrari, então a produção encomendou três réplicas de fibra de vidro.


   O Clube dos Cinco (The Breakfast Club) - 1985

Deixei esse daqui por último por ser, sem dúvida, o meu favorito e provavelmente o filme mais sério da trilogia. Assisti acidentalmente no TeleCine Cult há alguns anos e foi o filme que me fez decidir ir atrás de todo o trabalho de John Hughes. Já perdi a conta de quantas vezes o assisti, seja pelo Netflix ou pelo DVD.


O filme se passa em uma manhã de sábado em uma escola, quando cinco alunos são mandados para a detenção. Cada um dos personagens representa um esteriótipo forte no colegial americano: o nerd, a louca, a patricinha, o delinquente e o atleta. Mas, o que prometia ser a pior manhã de todas, acaba se tornando uma bela sessão de terapia em grupo. Os cinco adolescentes dividem experiências, inseguranças, conversam sobre a pressão de ser adolescente, a hierarquia social escolar, suas situações familiares e os motivos que os levaram até aquela detenção. Os jovens acabam não só conhecendo um pouco uns dos outros, mas também de si mesmos e percebendo que rótulos não significam nada. Algumas das cenas de "confissões" foram feitas totalmente no improviso pelos atores, o que acho que trouxe ainda mais realidade para o filme.

Cenas emocionais se misturam com situações engraçadas e descontraídas, com o toque leve que é contido em todas as obras de Hughes. O filme começa e termina com "Don't You (Forget About Me)" do Simple Minds, que pode até não fazer muito sentido a princípio, mas ao final do filme fica bem clara quando é tocada durante a leitura da carta enviada ao diretor da escola. Eles saíram da escola naquele dia e talvez nunca mais se falassem, já que pertenciam à círculos e "níveis" totalmente diferente, mas não esqueceriam um do outro e os laços formados naquela detenção.

John Hughes queria dar uma sequência tanto para O Clube dos Cinco, quanto para Curtindo a Vida Adoidado, que mostraria os personagens no futuro, mas o projeto não saiu do papel. Felizmente para mim que não sou uma grande fã de sequências, porém admito que seria até interessante.

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Espero que tenham gostado, venho querendo fazer algo sobre o John há um longo tempo e ainda pretendo fazer mais algumas listinhas sobre outros filmes dele, haha! Aqueles que já assistiram aos filmes, o que acharam? E se não assistiram, corram, todos os três estão no Netflix!

Bom, sinto muito pelo sumiço, mas ainda não posso prometer que voltarei a postar com certa frequência enquanto minha situação com a internet não se resolver :(

xoxo 

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