CULTURA DO ESTUPRO NÃO É "MIMIMI"


Você já ouviu falar na cultura da estupro? Ou melhor, você sabe o que significa o termo? Surpreendentemente, para mim, descobri recentemente que, mesmo com o atual cenário na mídia em que estupros coletivos e abusos contra a mulher vêm vindo bastante à tona ultimamente (inclusive partindo de celebridades), as pessoas ainda não parecem ter entendido muito bem o significado. Ou pior, algumas entenderam tudo errado mesmo. Frases como “claro que ninguém está de acordo com o estupro” ou “ninguém cultua e aplaude estuprador” são os exemplos claros de que a informação ainda não chegou para todo mundo.

Em um resumo: a cultura do estupro não é o ato de concordar com um estupro em si, mas banalizá-lo. Coisas como investigar o passado da vítima (como se ela fosse culpada de qualquer coisa) e tentar passar panos quentes na situação do próprio estuprador. Ensinar garotas a se protegerem para não serem estupradas, em vez de ensinar os garotos a não estuprarem. Essas são apenas algumas das coisas que caracterizam a cultura do estupro. Não, ninguém está aplaudindo estupradores, até porque, o que está acontecendo é exatamente e dificuldade em reconhecê-los.

E a cultura do estupro não diz respeito apenas ao ato do sexo não consentido, ela engloba todos os outros tipos de abuso também. Abuso é abuso, no momento em que uma mulher é agredida e desrespeitada, é abuso. Não existem meias-palavras, não existe “era só brincadeira”, “ele não sabia o que estava fazendo”, ou até mesmo “ah, mas ela estava pedindo, olha o tamanho dessa saia”. Existe abuso. Abuso, seja ele físico ou verbal, caracteriza violência e devemos começar a tratá-lo dessa forma.

O abusador pode ser qualquer um, desde o desconhecido que vai te abordar na rua, até as pessoas dentro da sua própria casa. Quantos “homens de bem” ainda insistem em justificar abuso como “instinto masculino” ou “brincadeira de moleque”? Homens honestos, sem ficha criminal e sem qualquer rastro de psicopatologia, apenas princípios distorcidos e retrógrados. Você não precisa ser um psicopata, um bandido ou um marginal para ser um abusador. Até mesmo o ato de disseminar fotos ou vídeos íntimos ou assistir um abuso calado já gera uma responsabilidade imensa. E é importantíssimo não ignorar que homens também podem ser vítimas de abuso, embora o número de casos com mulheres seja maioria esmagadora.

Infelizmente, nós ainda vivemos em uma sociedade machista e a luta não vai acabar tão cedo, mas ela está acontecendo e progredindo em seu próprio ritmo. Isso tudo pode parecer óbvio para muita gente, mas percebi que existe um número incrível de pessoas que não faz a menor ideia do que está acontecendo. Então, antes de virar o mais novo colunista de ódio no Facebook ou sair fazendo comentários desrespeitosos por aí, busque por informação, busque entender e, se você não concordar, então critique racional e respeitosamente. Afinal de contas, embora muitos ainda achem que essa é apenas uma causa feminista, o respeito ainda é universal.

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Tentei ser o mais sucinta e objetiva possível, sem muitos floreios para não perder o foco. Mas, para quem quiser enriquecer mais o conhecimento, aqui estão alguns links dos meus artigos favoritos a respeito:




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"stardustlady" no Snapchatt 

8 comentários

  1. 'Cultura do estupro' chega a ser assustador que pessoas acreditem nisso como uma cultura. Mais assustador é chegar aqui na Finlândia e vários Sírios estarem estuprando as mulheres simplesmente por que se acham no direito, já que elas estão com roupas que gostam. Que mundo é esse em que pra sempre seremos o sexo frágil, com medo de sair de casa?!
    | A Bela, não a Fera| | O que estou fazendo na Finlândia||| FB Page A Bela, não a Fera|

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    1. É assustador que tenhamos que explicar que para o sexo rolar precise de duas pessoas que QUEIRAM, né? Que situações complicada por aí! Acredito que não seremos para sempre o sexo frágil, a luta é árdua, mas ela não falhará em nos conceder nosso lugar seguro e justo.

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  2. Texto muito importante! O que mais me incomoda é gente que não aceita o termo "cultura do estupro" por acharem que cultura é sobre arte, comidas típicas, danças. Não percebem que o termo é usado, na verdade, porque o estupro e outros tipos de assédios são muito justificados e naturalizados na nossa cultura, cultura essa que é repleta de machismo.
    Beijos
    www.purpurinaacida.com

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    1. Pra mim isso é pura falta de informação e de vontade de obter qualquer informação. Muitas pessoas estão acostumadas a viver naquela bolha confortável do conformismo e fecham os olhos para os grandes absurdos da nossa sociedade, mas isso precisa mudar para o mundo mudar.
      Muito obrigada pelo comentário! Beijos!

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  3. Todos os dias, com pequenos gestos, eu tento lutar contra essa cultura. Sou a chata, reclamona e problematizadora da família HAHAHA Adorei você trazer esse tema para cá!

    www.vestindoideias.com

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    1. Mas tem que ser assim mesmo, aos poucos a gente vai vencendo essa luta. E sim, eu sou essa também na minha família haha
      Obrigada! Beijos!

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  4. Eu adorei esse post!! Esse assunto tem que ser debatido sempre. Informação é sempre importante. A cultura do estupro se manifesta cedo e muitas vezes está subentendida. Muitas vezes, até algumas mulheres reproduzem essa cultura e o pensamento machista. Lamentável. Por isso é tão importante falar sobre o assunto! Não podemos fechar os olhos e ignorar isso. Seu post tratou do assunto de forma simples, boa de ler e madura ao mesmo tempo. Parabéns!
    bjs
    blogtrashrock.com

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    1. O pior é que muita gente nem sabe exatamente o que está fazendo, reproduzem o que aprenderam em casa ou o que veem por aí. Às vezes quando mostramos o outro lado da moeda muita gente acaba mudando de ideia e começa a agir de maneira diferente, por isso acredito na disseminação de informação. Muito obrigada pela opinião, Mah, acho mesmo que isso deve ser falado mais e mais!
      Beijos, obrigada novamente!

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